segunda-feira, 24 de outubro de 2011

A Guerra dos Tronos | George R. R. Martin



Muita intriga e reviravolta com personagens fascinantes e misteriosos. É assim que eu descrevo o primeiro livro da Saga As Crônicas de Gelo e Fogo, de George R. R. Martin. O escritor americano consegue desenvolver a trama sem dificuldade, e sempre temperando-a com cenas quentes, assassinatos, humor negro e duelos. Mas o melhor de tudo é que ele preenche tudo isso com diversos tipos de personagens (tenho certeza que vai se identificar com algum) e cenários fantásticos e exóticos (desde o luxo do castelo real ao frio de Winterfell e o clima sombrio que toma conta da Muralha). O verdadeiro charme do livro está na divisão de capítulos. Não temos frases no topo de cada início de capítulo, e sim nomes dos oito personagens principais do enredo (e são classificados assim exatamente por isso). Nos capítulos com o nome de Catelyn, por exemplo, conta-se a história à partir do que a personagem Catelyn presencia, mas sempre narrado em terceira pessoa. E Martin consegue correr com a trama de maneira prática, sem que isso se torne um grande obstáculo (o que aconteceria se fosse um escritor desatento) para o desenvolvimento do livro. Na verdade, este é um dos grandes diferenciais na construção da obra.

Após Ned Stark, Lorde de Winterfell, receber o recado que seu grande amigo Jon Arryn, Mão do Rei, havia morrido, soube que o próprio Rei Robert (seu velho companheiro de batalha) estava indo diretamente para o norte oferecer-lhe a vaga. Ned decide aceitar a oferta quando a irmã de sua esposa, que era esposa de Arryn, manda-lhe uma ave dizendo que seu marido fora envenenado pela rainha Cersei. Sendo assim, ele teria a chance de proteger seu velho amigo das mãos da maligna mulher. Mas muitas coisas acontecem no caminho, provocando o andamento da guerra dos tronos, onde se vive ou se morre. Além disso, o inverno está para chegar.

Uma das coisas que mais surpreende na leitura de A Guerra dos Tronos é a facilidade com que o escritor apresenta sua obra ao público. Você começa a ler sem entender nada sobre Muralha, Patrulha da Noite, Os Outros, mas, conforme a história vai ganhando ritmo, você vai entendendo os verbetes e os acontecimentos e acaba por simpatizar-se ou não com a obra, dependendo de seu gosto, claro. Além disso, Martin faz perceber que tem um grande conhecimento sobre a Idade Média, desde a gastronomia e os tecidos da época às estratégias e armas de batalha, o que, obviamente, favorece ainda mais os detalhes da trama. Mas há quem vá se decepcionar com o livro, não pelo o quê ele traz, mas sim por como ele o faz.

Vou explicar-lhe. Diferente da maioria das séries de livros, ele não estabelece a trama de toda a saga por trás de um enredo que se inicia  e se finaliza em um só livro como Rowling nos apresenta seu mundo mágico por traz da busca pela pedra filosofal, por exemplo. Na verdade, A Guerra dos Tronos é o aperitivo para o clímax que deve acontecer em A Fúria dos Reis, o segundo livro da série. O que com certeza decepciona quando você lembra que os livros têm um preço bastante salgado e você está super curioso para ler o clímax da história. Não é um detalhe que prejudica a qualidade da obra por si só, mas às vezes é preciso seguir o padrão que agrada o público, e que acabou também por prejudicar a série de televisão da HBO adaptada da obra. A primeira temporada, baseada neste livro, acaba sem pé nem cabeça, com trama nenhuma concluída.

A Guerra dos Tronos com certeza já virou obrigatório pra qualquer fã de fantasia medieval, e vale a pena lê-lo. Mesmo com este pequeno incômodo, a leitura é ótima e tenho certeza que vai se surpreender com as reviravoltas criativas do escritor. Boa leitura!

Ps.: O mapa e as informações ao final são de grande ajuda.


Livro: A Guerra dos Tronos
Autor: George R. R. Martin
Editora: LeYa
Páginas: 592

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