sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Entrevista | Renata Ventura












Antes de se dedicar ao seu primeiro livro, A Arma Escarlate, a jornalista Renata Ventura se aventurou no cinema e morou quatro anos nos Estados Unidos. Natural do Rio de Janeiro, sempre soube que seria escritora. Confira abaixo a entrevista que ela deu para o blog. Entre vários outros assuntos, ela fala de Harry Potter, suas inspirações e, principalmente, A Arma Escarlate ( que estréia dia 18 de novembro!).




1-Renata, não podemos negar as semelhanças entre a sua nova obra, A Arma Escarlate, e a saga best-seller Harry Potter, de J. K. Rowling. Em ambas temos um jovem garoto que se descobre um bruxo. Sei que você é fã da obra da escritora inglesa, por isso eu te pergunto: a ideia foi retirada da trama de Harry Potter? Se sim, o que mais em seu livro você acha que, mesmo involuntariamente, tenha uma certa semelhança com a saga do menino bruxo inglês?
R: A ideia para meu livro surgiu depois que eu li uma entrevista com a J.K. Rowling, em que um fã norte-americano lhe perguntou se ela planejava algum dia escrever um livro sobre uma escola de bruxaria nos Estados Unidos. Ela respondeu que não, mas que ele podia ficar a vontade para escrever sobre isso. Então eu me perguntei: Por que não escrever um livro sobre uma escola carioca de bruxaria?

A partir dessa primeira ideia, comecei a pensar nas tradições, no folclore, nos comportamentos brasileiros, ... e, principalmente, em como uma escola brasileira seria diferente de uma escola britânica: a desorganização, a malandragem, o jeitinho... as aulas que nunca começam na hora certa, a falta de verba... Nada disso tem em Hogwarts, mas em escolas do Rio de Janeiro são algo comum.  Então, na escola carioca de bruxaria também seria.

Ao mesmo tempo, eu procurei escrever de modo que os fãs de Harry Potter reconhecessem certos aspectos do mundo mágico a que eles já haviam sido apresentados pelos livros da J.K. Rowling; até como uma maneira de brincar com esse mundo, de unir as duas histórias. Eu gosto muito dessa ideia de juntar mundos literários, como se todos acontecessem em uma mesma realidade. Então, quando a história do Hugo começa aqui no Brasil (1997), as aventuras de Harry já estão acontecendo há alguns anos na Grã Bretanha e talvez um certo vampiro Lestat esteja pensando em voltar ao Rio de Janeiro e pular novamente o carnaval, assim como o fez em 1991, no livro de Anne Rice. Entende? Como se todos os mundos literários fossem um mundo só. Na minha cabeça, é  assim que eu vejo, apesar de eu não ter escrito isso explicitamente no livro.

Para criar essa sensação de mundo em comum, eu usei alguns aspectos que estão no Harry Potter, mas que são elementos que não foram criados pela J.K. Rowling; elementos que ela mesma pegou emprestado de outros livros e contos, como varinhas, escolas de bruxaria, quadros que se movem, vassouras voadoras... Tudo isso já existia antes de Harry Potter. Então eu sabia que podia usar no meu livro, para dar essa sensação de que se trata do mesmo mundo. Só que, como no Brasil a gente dá sempre aquele toque brasileiro a tudo que vem de fora, o mesmo acontece com esses elementos no meu livro. Eles estão lá, mas são diferentes, subvertidos. E, claro, convivem perfeitamente com a magia brasileira, o folclore nacional, e os feitiços em tupi-guarani, bantu, iorubá... (Feitiços em latim não funcionam no Brasil. Não me pergunte por quê. Nem mesmo os personagens sabem! rsrsrs Mas há teorias.)

A história de meu livro, como você mesmo disse, se assemelha à do Harry já por ser sobre um menino que se descobre bruxo. Mas a situação de Hugo é muito mais desesperadora do que a situação que Harry vivia no começo do primeiro livro. A violência e o medo com que Hugo teve de conviver desde pequeno, Harry só começa a experimentar realmente a partir do final do quarto livro, quando Voldemort volta. E isto faz de Hugo um personagem muito diferente, com outras motivações, outra visão de mundo, outras reações. Ele tem certa malícia e certa manha que ele precisou desenvolver desde pequeno para sobreviver. E isto reflete, claro, na maneira como Hugo vai usar a magia que ele aprende em sala de aula. Com menos sabedoria que Harry, talvez, e certamente com menos compaixão. 




2-É fácil construir uma boa obra de fantasia nos dias atuais, porque temos várias inspirações, seja nos livros ou na mídia. Mas o difícil é criar uma boa obra de fantasia cuja trama se passe nos tempos modernos. Você acha que conseguiu o desafio de transformar um jovem de 13 anos que mora em uma favela em um bruxo de uma hora pra outra? 
R: Eu levei cinco anos para escrever A Arma Escarlate, talvez por causa dessa dificuldade que você mencionou. O grande desafio nesse livro foi exatamente fazer essa mescla entre o mundo mágico e o mundo real. Por Hugo morar em uma favela e já ter vivido várias situações de tensão e violência mesmo antes de descobrir que era bruxo, esse mundo real acaba invadindo o mundo mágico, mais do que em outros livros de fantasia; a realidade é muito poderosa e muito influente nas decisões que Hugo toma. Ele não consegue se distanciar dela e viver apenas nesse mundo novo de magia e fantasia, porque a realidade é simplesmente forte demais para ser ignorada, e isso vai fazer toda a diferença na trama do livro. 

Ele foge da favela para ir à escola de bruxaria, mas ao mesmo tempo, sua mãe e sua avó continuam lá, sendo ameaçadas pelo bandido que o jurou de morte. Então Hugo não pode simplesmente se esquecer de que existe um mundo lá fora. Ele tem objetivos específicos quando entra na escola, e não são objetivos pacíficos. Ele quer aprender magia o suficiente para voltar lá e acabar com o bandido que o fez sofrer durante sua vida toda.


3-Quais são as reações e as ações do menino depois que ele descobre isso? Como foi que ele descobriu?
R: Acho que acabei respondendo mais ou menos essa primeira pergunta já na resposta acima. Quanto à segunda pergunta, vou deixar para os leitores descobrirem!!!! rsrsrs




4-Conte-nos mais sobre os pixies. O que eles são, da onde surgiram? O neologismo seria uma alusão aos trouxas de Harry Potter, mesmo que ambos nada tenham a ver?
R: Não, não. Os Pixies são um grupo mais velho de alunos. Um grupo rebelde, que vive querendo mudar o mundo, acordar os alunos e os professores para ideias novas, chacoalhar a monotonia da escola, abrir as mentes da comunidade bruxa. São muito gente boa. Divertidos. Ousados. Tão ousados que vocês podem até conversar com dois deles no Facebook. O nome "Pixies" significa "duendes" ou "diabretes".



5-Deixando um pouco de lado o assunto sobre o livro, vamos falar de sua vida profissional. Quando trabalhou na área cinematográfica, em quais projetos se envolveu? Qual o seu preferido e o melhor de se fazer: cinema ou literatura? Por quê?
R: Trabalhei com cinema documentário, em filmes como "Utopia e Barbárie" e "Memória do Movimento Estudantil", mas prefiro mil vezes a literatura. É muito divertido criar personagens, vê-los crescer, se desenvolver, e sair completamente de nosso controle! Os pixies, por exemplo, vivem me surpreendendo. E Hugo então, nem se fala. Hugo já chegou a me surpreender de tal maneira, que eu não sabia mais como tirá-lo da enrascada em que ele próprio se metera com a língua afiada dele. A resposta que ele deu a um certo personagem não estava nos meus planos, e eu simplesmente não podia mais apagá-la depois que ele já havia dito o que dissera. Então tive que modificar a cena inteira para salvá-lo naquele momento do livro. rsrsrs Hugo é indomável. Não tem jeito.



6 - Você já tem algum novo projeto de livro em frente? Pode revelar-nos algumas de suas ideias? 
R: Eu espero que possa levar adiante a história do Hugo. Tenho mais quatro sequências em mente, que eu gostaria muito de compartilhar com os leitores. Até porque o vilão principal ainda não aparece nesse primeiro livro, e eu adoraria que vocês o conhecessem. Ele é um dos meus personagens favoritos. 
Em cada um dos outros quatro livros seguintes da série, pretendo apresentar aos leitores uma das outras quatro escolas de bruxaria espalhadas pelo Brasil. Além da escola carioca, há também as escolas do Sul, da Amazônia, de Brasília e de Salvador. Cada uma com seu currículo diferenciado, relacionado à região em que a escola se encontra!


7-Quais os autores brasileiros que mais te inspiram?
R: Monteiro Lobato, definitivamente. O jeito como ele misturava o folclore com a realidade da roça era muito bacana. Eu faço uma homenagem aos personagens dele no livro, em um certo capítulo.


8-Você acha que o Brasil está fazendo boas obras de fantasia? Temos vários exemplos de que os brasileiros estão se envolvendo cada vez mais no gênero, como o livro A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr.
R: Um de meus projetos de leitura para ano que vem é mergulhar nesse novo universo da literatura fantástica brasileira. Ainda não comprei o livro do Spohr, mas já comprei o "O Vale dos Anjos", de Leandro Schulai, e "Lerulian" de Dan Albuk, e estou ansiosa para lê-los!!!


9-Muito obrigado, Renata. Deixe agora um recado para os meus e os seus leitores.
R: Espero que vocês gostem do livro! Que se divirtam e, ao mesmo tempo, discutam os debates e os temas que eu apresento ao longo da trama! Eu gostaria muito que meu livro inspirasse as pessoas a pensarem mais sobre a realidade brasileira, a debaterem mais sobre os temas graves que assolam o Brasil e que afetam a juventude brasileira.




Saiba mais sobre A Arma Escarlate na página do Facebook oficial do livro: http://www.facebook.com/pages/A-Arma-Escarlate/209624942406590?sk=info


Há também alguns personagens com suas próprias contas no Facebook, confira:

Caimana Ipanema:

http://www.facebook.com/profile.php?id=100002545253374&sk=info




domingo, 4 de setembro de 2011

Brasil: Os Fascinantes Anos 20 | Marcos Rey














São livros assim que podem fazer várias pessoas desejarem voltar no tempo e darem de cara com um Brasil não tão corrupto, não tão violento, não tão desigual. Em Brasil: Os Fascinantes Anos 20 voltamos na década onde os modernistas tentavam criar fãs, onde a luz elétrica surgiu, o lança-perfume não era droga e o rádio começou a ganhar fama. Porém, também damos de cara com um Brasil que também sofria com as revoltas do exército contra o governo, com as greves dos trabalhadores, que revindicavam melhores condições de trabalho, e com a crise de 1929, que afetou o Brasil diretamente com a queda da exportação do café, principal produto do país na época. Mas o importante aqui é saber que Marcos Rey nos conta uma breve estória, com personagens fictícios que vivem na época onde Tarsila do Amaral começou sua carreira e João Ribeiro de Barros atravessou o Oceano Atlântico Sul - com direito à participação destas personalidades.

Na trama, Gabriel é um rapaz que deixou a família em sua cidade natal e partiu para São Paulo para viver sozinho na Pensão da República e vender reclames pela cidade. Ele é um apaixonado pelos artistas modernistas e, junto com o amigo Natal, compra ingressos para a Semana de Arte Moderna. Lá, ele presenciou o público ir contra artistas como Villa Lobos e Oswald de Andrade, jogando tomates e diversas outras coisas. É nessa época que ele conhece Glorinha, a típica mulher dos anos 20, chamada de melindrosa, que usava vestidos mostrando as canelas, fumava e participada dos corsos de carnaval. Ele começa a se aproximar ainda mais de Glorinha quando sua família vem morar com ele em uma casa em São Paulo e Natal volta para Ribeirão Preto, onde seus pais vivem.

É bem difícil fazer uma sinopse de Brasil: Os Fascinantes Anos 20 sem contar spoilers da trama, porque o livro não tem nenhum objetivo. Objetivo que eu digo, físico. Afinal, ele tem a missão de mostrar como se vivia na década de 20 no Brasil, porém tampouco cria suas ramificações para chegar a um final que feche, literalmente, a trama. No desfecho, temos uma espécie de epílogo que nos conta como a vida do protagonista seguiu, mas não ficamos interessados, em nenhum momento, nos personagens. E o escritor sabe disso. Não é a toa que, na própria sinopse do livro, não encontramos nem mesmo o nome do protagonista, e sim em como era chamada a década de 20 e os motivos para tal. É aí que descobrimos a ideia do autor: utilizar um enredo fictício como estrutura para contar a história de uma época verídica, e tenho que admitir que esta mescla dá certo. Brasil: Os Fascinantes Anos 20 é uma leitura prática e rápida, que pode te ensinar bastante coisas ou não sobre a década, dependendo de seu nível de conhecimento sobre a mesma. Aí, já depende de cada um; mas há uns bons fatos verídicos ao final do livro, que valem a pena ler.

Livro: Brasil: Os Fascinantes Anos 20 - Col. O Cotidiano da História
Autor: Marcos Rey
Editora: Ática
Páginas: 64 - Edição de 2004

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Entrevista | Marcio Scheibler

1 - Você tem dois livros policiais. Quando escreveu o primeiro livro, "Cicatrizes de Um Segredo", você já estava pensando em escrever o segundo, "Irresistivelmente Fatal"? E no momento de procurar uma editora para publicar sua ideia, você já estava com os dois livros prontos?

R:
Procurei primeiramente focar no primeiro livro. A ideia do segundo livro me veio à cabeça na semana seguinte ao lançamento do primeiro, muito em função da satisfação de ver minha obra recém lançada e com intuito de seguir a vida toda com essa carreira. Resumindo, apenas o primeiro trabalho estava pronto quando procurei uma editora.





2 - Você pretende escrever um terceiro livro? Ele também terá, como protagonista, o detetive? 

R: Pretendo escrever, mas não iniciei nada ainda. A presença do detetive Otávio Medeiros ainda é uma incógnita, mas pela ideia que tenho, ele deve seguir atuando em pelo menos uma parte da obra. Posso adiantar que a ideia principal é reunir vários contos num livro só, ao contrário dos dois livros já publicados que contém apenas uma história em cada.





3 - Sir Arthur Conan Doyle é conhecido mundialmente por ter criado o detetive mais famoso da literatura: Sherlock Holmes. Em algum momento ele te serviu se inspiração? Se sim, a ideia é fazer de Otávio Medeiros um "Sherlock Holmes brasileiro"?

R: Sherlock Holmes é leitura obrigatória pra qualquer autor que queira se aventurar pelo romance policial. Inspiração foi o que não faltou após ler algumas de suas obras. Seria muita ousadia da minha parte tornar um personagem meu algo parecido com o detetive inglês, mas trabalharei para, ao menos, colocar minha obra em destaque no cenário nacional.







4 - Quando você vai criar o enredo de seus livros, você já sabe o final antes de escrever e, assim, vai criando todo o processo até chegar ao desfecho ou você cria os personagens e a trama e, conforme vai escrevendo, você mesmo vai "descobrindo" o final apropriado?

R:
Segunda opção. Primeiramente eu crio alguns tópicos que serão pontos-chave da trama e ao longo da escrita crio os elos entre eles. O final eu imagino em partes, mas o processo todo vai se definindo ao com o decorrer das linhas.






5 - Para criar a personalidade de seus personagens, alguma vez você já se inspirou em alguém? Se sim, qual foi o personagem e a pessoa?

R: Não me inspiro em alguém em específico, mas alguma atitude ou ação que eu já tenha presenciado ou visto na televisão serviram de base para determinadas cenas. 







6 - Você se interessa por um outro gênero? Quais são seus autores preferidos e os que te inspiram?

R: Após me tornar escritor, passei a ler uma variedade maior de gêneros: literatura fantástica, poesia, romances históricos, etc. Não que antes eu me interessava apenas pela literatura policial, e sim por ser aficcionado por este estilo. Gosto de Agatha Christie, Arthur Conan Doyle e Dan Brown, principalmente, apesar do último não se enquadrar no gênero policial. A literatura nacional me proporcionou a leitura de obras maravilhosas, que não devem em nada a obras estrangeiras. Troquei livros com vários autores e me surpreendi com a produção literária brasileira.







7 - Quantas horas por dia você costuma escrever? Nestes momentos, onde você costuma ir para escrever (cafeterias, na sua casa, em praças...)? 


R: No momento estou parado, mas quando eu escrevia não me dedicava diariamente à escrita. Quando escrevia, o tempo decorrido, em média, era de uma hora por dia, quase sempre no meu quarto.






8 - Você tem um blog sobre Livros e Rock'n'roll. Pretende, algum dia, juntar suas paixões em páginas?

R: É algo que está na minha cabeça. A falta de tempo para o estudo do rock é o que me impede de aprofundar a ideia, mas nem por isso deixo de sempre ler algo sobre o assunto. Só fica a dúvida se os leitores atuais, que se identificam com o Marcio autor de romances policiais, iriam gostar de ver uma obra minha falando sobre o rock n' roll.







9 - Muito obrigado, Marcio. Agora, mande um recado para os meus e os seus leitores, e os seus meios de contato.

R: Obrigado pela oportunidade, primeiramente. 

Não meça esforços para tornar a leitura um hábito prazeroso em sua vida. Mergulhar em cada letra, palavra, frase ou página de um livro é sair do mundo terreno e aprofundar-se no imaginário com toda a força da mente.


"A leitura nada mais é do que a capacidade de ver o que se passa na mente do autor" - Marcio Scheibler

Abraços



Marcio Scheibler
marcioscheibler@ibest.com.br
escritorscheibler@gmail.com
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